O caso acusativo em sérvio: o objeto direto e a animacidade
Em português, um substantivo não muda de forma quando passa a objeto direto: "o café" continua "o café", quer você o beba ou não, e é a ordem das palavras que indica quem sofre a ação. O sérvio funciona de outra maneira. Quando um substantivo é objeto direto - aquilo sobre o que recai a ação -, ele passa ao caso acusativo e a sua terminação pode mudar. Há três padrões a aprender. Primeiro, os substantivos femininos terminados em -a trocam esse -a por -u. Assim, kafa (café) passa a kafu, e knjiga (livro) passa a knjigu: "Pijem kafu." (Bebo café.) e "Čitam knjigu." (Leio um livro.) Essa mudança é automática e não tem complicações. Segundo, os substantivos neutros e os masculinos inanimados não mudam nada. O acusativo é idêntico à forma do dicionário. A cidade, grad, continua grad: "Vidim grad." (Vejo a cidade.) Nada a acrescentar, nada a substituir. Terceiro - e este é o coração da regra - os substantivos masculinos animados (pessoas e animais) recebem um -a a mais. Brat (irmão) passa a brata, e pas (cão) passa a psa: "Vidim brata." (Vejo o meu irmão.) e "Imam psa." (Tenho um cão.) Ao sérvio importa se um substantivo masculino está vivo. É justamente essa distinção de animacidade que mais dificulta a vida de quem aprende. O erro clássico é deixar o masculino animado na forma do dicionário: "Vidim brat." está errado; tem de ser "Vidim brata." O erro contrário é igualmente comum: acrescentar o -a a uma coisa inanimada, algo que o sérvio nunca faz. Assim que a diferença entre animado e inanimado fica clara nos masculinos, o resto do acusativo torna-se simples.
Exemplos
- Pijem kafu. I am drinking coffee.
- Vidim grad. I see the city.
- Vidim brata. I see my brother.
A lição completa
Tudo do vídeo, em texto.
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Podes ter todas as palavras certas e ainda assim errar. Diz vejo o meu irmão da forma óbvia em sérvio e um nativo ouve um erro. A culpa é do caso acusativo.
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O acusativo marca o objeto direto: aquilo sobre que recai a ação. Em bebo café, o café é o que se bebe. Essa palavra-objeto vai para o acusativo.
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É o caso de objeto por excelência: quase toda a frase com verbo e objeto precisa dele. E como muda o substantivo para ser o objeto? Depende do substantivo.
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Comecemos pelo fácil. Os substantivos femininos em -a trocam esse -a por -u. Café, kafa, torna-se kafu. Uma mudança limpa e fiável.
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Aqui está numa frase real. Estou a beber café. Kafa é a forma do dicionário, mas como objeto torna-se kafu. Pijem kafu.
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O mesmo padrão sempre. Estou a ler um livro. Knjiga torna-se knjigu. Se é feminino e acaba em -a, a forma de objeto acaba em -u. Čitam knjigu.
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Agora os masculinos e neutros, e aqui vai a boa notícia. Os neutros, e os masculinos que são coisas, não mudam nada. O acusativo é igual à forma do dicionário.
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Vejo a cidade. Grad é masculino, e uma cidade é uma coisa: inanimada. Por isso grad continua grad. Nada a acrescentar, nada a mudar. Vidim grad.
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Mas aqui está a reviravolta que tramprega toda a gente. Se um masculino está vivo — uma pessoa ou um animal — então muda: acrescenta um -a. É a distinção de animacidade, o coração da regra.
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Vê em ação. Vejo o meu irmão. Brat é masculino e um irmão é uma pessoa: animado. Por isso brat torna-se brata. Esse -a a mais faz toda a diferença. Vidim brata.
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Os animais também contam como vivos. Tenho um cão. Pas é masculino e animado, por isso leva a terminação: pas torna-se psa. A mesma lógica: está vivo, logo muda. Imam psa.
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E este é o erro clássico: deixar o substantivo animado na forma do dicionário. Vidim brat soa bem, mas falta a terminação. Tem de ser Vidim brata. Esquece o -a e soas a principiante.
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Vamos fixar. O acusativo marca o objeto. O -a feminino passa a -u. Neutros e masculinos inanimados não mudam. E os masculinos animados acrescentam um -a.